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INSCRIÇÃO ONLINE NO CONGRESSO

Ficha de Inscrição

Qualquer assunto relativo ao congresso deve ser tratado através do seguinte endereço de e-mail
congresso.apa@ics.ul.pt (secretariado do congresso – em funções a antropóloga Raquel Carvalheira)

 

IV Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia
"CLASSIFICAR O MUNDO"

De 9 a 11 de Setembro de 2009
ICS e ISCTE, Lisboa

 

Homenagem a Benjamim pereira

 

A APA decidiu neste congresso homenagear Benjamim Enes Pereira pela obra que realizou ao longo da sua longa vida em prol da antropologia portuguesa: primeiro, como membro integrante da equipa que fundou o Centro de Estudos de Etnologia, o Centro de Antropologia Cultural e Social e o actual Museu Nacional de Etnologia; depois, após a morte dos seus companheiros mais próximos (A. Jorge Dias, Margot Dias, Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano), na continuação do legado que essa equipe nos deixou, sobretudo através de notáveis exposições etnográficas. 

Da sua obra escrita, destacamos a Bibliografia Analítica da Etnografia Portuguesa (1965) assim como os vários volumes sobre cultura material e tecnologia tradicional em parceria com Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano, muitos deles mais recentemente re-editados na colecção Portugal de Perto.  As exposições que ajudou a montar marcam-se por uma estética muito própria, quer no Museu de Etnologia (relembramos, por exemplo, Escultura Africana e Índios da Amazónia ou, mais recentemente e em parceria com Jill Dias, Nas Vésperas do Mundo Moderno), quer ao nível do apoio incansável aos museus locais que o tem levado a calcorrear o país de Norte a Sul. 

As suas últimas grandes realizações – o Museu da Luz perto de Mourão e a nova galeria do Museu Abade de Baçal (inaugurada em Dezembro 2006) – constituem os testemunhos mais recentes da sua obra e mostram bem a projecção do seu trabalho.  Benjamim Enes Pereira foi condecorado com a Ordem de Santiago pelo Presidente da República Jorge Sampaio em 10 de Junho de 2001.

Clara Saraiva

 

 

ConferÊncia Inaugural em homenagem a Benjamim Enes Pereira

 João Leal - Universidade Nova de Lisboa, CRIA

Os dois países de Benjamin Enes Pereira – Uma homenagem

Benjamim Pereira conheceu como poucos um país predominantemente rural, cuja diversidade cartografou e de que falou com recurso a objectos. Esse país cedeu entretanto lugar a um outro país, que Benjamim Pereira também conhece e no qual vivemos: um país que já não é rural sem que dele se possa dizer que é inteiramente urbano; cuja diversidade é mais incerta e fracturante; que se revê hesitantemente – ou que não se revê de todo – nos objectos que Benjamim Pereira coleccionou e estudou. Do primeiro país conhecemos bastante. Mas falta à antropologia uma teoria sobre o segundo país. Nesta conferência procura-se sugerir o modo como essa teoria pode vir a ser construída a partir de alguns dos termos a que Benjamim Pereira recorreu para pensar o primeiro país. Se e quando existir, essa teoria será uma das melhores maneiras de dizer ao Benjamim Pereira o quanto lhe devemos. É dessa dívida – e de um modo possível de a pagar – que a conferência inaugural falará.

 

SessÃo de Cinema

 

Nesta sessão apresentamos três exemplos de filmes etnográficos realizados e filmados por Benjamim Pereira, no âmbito do vasto trabalho de recolha etnográfica da equipa de Jorge e Margot Dias, Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano, e formam parte de uma vintena de filmes realizados entre 1960 e 1980. Deste conjunto fazem ainda parte os 14 filmes feitos, com um carácter mais profissional no ano de 1970 com os técnicos do Instituto do Filme Científico de Göttingen. Estes filmes, concebidos mais como técnica de registo e complemento da informação escrita e fotográfica do que como um meio com expressão própria, dependem de um contexto que lhes era fornecido pelas colecções museológicas e estavam ligados a uma urgência de filmar o mundo rural português que parecia desaparecer vertiginosamente. O centramento, neste período, nas tecnologias tradicionais e a valorização do registo etnográfico puro reclamava o visual, o uso da imagem. Rodados de Trás-os-Montes e Barroso à Serra Minhota, ao Litoral  Minhoto, Beira e Alentejo, os filmes são todos de temática rural, centrados na materialidade da cultura popular, nomeadamente nas tecnologias tradicionais (malhas, debulhas, apanha de sargaço, pastoreio, lavras); no ciclo do linho e engenhos (de serração, do linho, teares, azenhas, moinhos); na cultura material (cestaria, olaria) , mas também, como vemos em Dança das virgens (1962), no ritual (danças, festas).

Catarina Alves Costa

 

Filmes a apresentar

 

Olaria primitiva. Malhada Sorda, 1970, 14 min.

Dança das virgens. Lousa, 1962, 7 min.

Linho-planta (excerto de O ciclo do linho), 1978, 25 min.

 

 

Organização e Apresentação de Catarina Alves Costa, CRIA-  Univ. Nova

Apoio do Museu Nacional de Etnologia

 

 
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